Conforme a psicóloga Cláudia Michelon do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), os casos de sífilis têm aumentado significativamente. “Temos diagnosticado no CTA, de 15 a 20 casos por mês, entre eles estão também algumas gestantes. Esses números correspondem a detecção somente no Centro de Testagem. Lembramos que há casos também diagnosticados no laboratório, ou seja, pessoas que realizaram o exame nas unidades básicas de saúde e, com isso, esses dados podem dobrar ou mesmo triplicar”, destaca a psicóloga.
Apresentando
esses números, Dr.ª Cláudia Michelon faz um alerta para que a população realize
o teste para detectar a doença. No CTA, localizado no Centro de Diagnóstico
João Paulo II, está disponível o teste rápido para detecção de quatro doenças:
HIV/Aids, sífilis e hepatite B e C. O resultado do exame sai em até 30 minutos.
“O cidadão pode realizar o teste rápido no CTA portando documento oficial com
foto ou nas unidades básicas de saúde”, orienta.
No Centro de
Testagem e Aconselhamento, os exames são realizados todas as segundas e
terças-feiras, das 8h às 10h e das 13h30 às 15h. O exame é sigiloso e não é
necessário encaminhamento para sua realização.
“A sífilis tem
três fases: primária, secundária e terciária. Nesse terceiro estágio, após anos
convivendo com a doença, a infecção pode até levar à morte”, ressalta. A
sífilis é uma infecção sexualmente transmissível com fases assintomáticas e quanto
antes for tratada, melhor. Nos estágios primário e secundário da doença, a
possibilidade de transmissão é maior. A terceira fase (sífilis terciária) é
mais rara nos dias atuais, mas pode surgir após vários anos ou décadas depois
do início da infecção, na ausência de tratamento.
Para evitar a
transmissão, é necessário utilizar de forma correta e regular o preservativo
feminino ou masculino.
GESTANTES
Em grávidas
não tratadas de forma adequada, a infecção pode causar aborto, prematuridade,
malformação do feto, entre outras consequências da sífilis congênita. “No caso
das gestantes, apesar do tratamento contra a doença ser igual aos demais
pacientes, nossa preocupação acaba sendo maior em decorrência da sífilis
congênita, ou seja, transmissão vertical (de mãe para filho). Por isso,
enfatizamos que as gestantes realizem o exame para que seja tratada ainda na
gravidez evitando sequelas nessa criança que, às vezes, podem ser
irreversíveis”, lamenta a psicóloga. O parceiro também deve ser testado e
tratado durante o pré-natal. Assim, além do casal, a saúde da criança fica
protegida. O tratamento é gratuito.
SINTOMAS
Sífilis
primária - Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis,
vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece
entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias. Normalmente
não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas
(caroços) na virilha.
Sífilis
secundária - Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do
aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Pode ocorrer manchas no corpo,
que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas
lesões são ricas em bactérias. Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça,
ínguas pelo corpo.
Sífilis
terciária - Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Costuma
apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas,
cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Fonte: PMP