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Senado aprova urgĂȘncia para projeto que isenta diesel de PIS/Cofins


ApĂłs votar seis medidas provisĂłrias (MPs) em uma segunda-feira (28) atĂ­pica, os senadores aprovaram, hĂĄ pouco, o requerimento de urgĂȘncia do projeto de lei que reonera setores da economia e contĂ©m um artigo que pode baratear o preço do diesel. Devido Ă  crise gerada com a greve dos caminhoneiros, que jĂĄ dura oito dias, os parlamentares imprimiram um ritmo acelerado de votaçÔes das MPs, e a maioria foi aprovada de forma simbĂłlica.

Com a pauta livre, o Senado pode agora se debruçar sobre o projeto que retira a desoneração, ou seja, os benefícios fiscais concedidos pelo governo a 56 setores da economia. A matéria foi aprovada na semana passada pela Cùmara após os deputados incluírem um trecho que estabelece alíquota zero do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) cobrados sobre o óleo diesel até o fim do ano. Embora não haja acordo em torno do projeto, os senadores jå podem discuti-la em plenårio a partir desta terça-feira (28).
Antes do requerimento de urgĂȘncia, aprovado de forma simbĂłlica, os parlamentares aprovaram cinco medidas provisĂłrias enviadas pelo presidente Michel Temer e rejeitaram uma. AlĂ©m do projeto que institui as diretrizes da PolĂ­tica Nacional de Mobilidade Urbana, foi aprovada e encaminhada Ă  sanção a matĂ©ria que autoriza a UniĂŁo a doar recursos ao Estado da Palestina para a restauração da BasĂ­lia da Natividade. Durante as discussĂ”es, senadores criticaram medidas que podem gerar novos custos para os cofres pĂșblicos em meio Ă  crise atual.


Apesar da urgĂȘncia, nĂŁo hĂĄ consenso para a votação do projeto, tanto do lado do governo quanto da oposição. O lĂ­der do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), defende a retirada do trecho que isenta o diesel do PIS/Cofins, alegando que o fim do tributo pode gerar consequĂȘncias negativa no repasse de recursos para as ĂĄreas sociais.

Para o lĂ­der do governo, Romero JucĂĄ (MDB-RR), o momento Ă© de “calma” e “equilĂ­brio” para que a situação seja resolvida de forma definitiva. Segundo JucĂĄ, nĂŁo adianta votar com pressa a proposta sem conversar previamente com os outros atores: os deputados, que podem novamente analisar o texto; e o governo, que poderia se comprometer com algum veto ao projeto. “A matĂ©ria serĂĄ apreciada oportunamente”, limitou-se a dizer o presidente do Senado, EunĂ­cio Oliveira (MDB-CE), logo apĂłs a aprovação do requerimento de urgĂȘncia.


Servidores de ex-territĂłrios

Jå as novas condiçÔes para a carreira dos servidores de ex-territórios da União tiveram que ser votadas de forma nominal. Os senadores mantiveram a medida provisória por 48 votos a 11. A MP trata de salårios e demais vantagens dos funcionårios civis e militares de Roraima, do Amapå e de RondÎnia.
Alvo de divergĂȘncias no plenĂĄrio, a matĂ©ria amplia o escopo dos servidores que, apĂłs a Constituição Federal de 1988, optaram por integrar quadros da administração pĂșblica federal. De acordo com o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), a MP trarĂĄ "enormes consequĂȘncias orçamentĂĄrias e fiscais" para a UniĂŁo. Utilizando dados do MinistĂ©rio do Planejamento, Ferraço afirmou que a despesa do governo federal pode aumentar, a cada ano, em R$ 2,4 bilhĂ”es.
JĂĄ os parlamentares favorĂĄveis Ă  MP, entre os quais os representantes dos estados cujos servidores serĂŁo beneficiados, defenderam a medida. As demais MPs aprovadas tratam dos fundos constitucionais de Desenvolvimento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e da liberação do pagamento do PIS/Pasep para idosos com mais de 60 anos.

Fonte: AgĂȘncia Brasil/Victor Chagas