
Renomado artesão e músico, José Martins Filho ensina a construção e execução da rabeca no tradicional Mercado do Artesanato, resistindo ao apagamento de uma das expressões mais autênticas do litoral paranaense
Localizada a cerca de 90 km de Curitiba, Paranaguá é um dos destinos mais ricos em história e cultura do Paraná. Fundada em 1648, é a cidade mais antiga do litoral paranaense e conta com uma população de mais de 151 mil habitantes, segundo o censo do IBGE de 2016. Seus casarões históricos, pontos turísticos e ilhas encantadoras são atrativos para visitantes que buscam conexão com o passado e com as tradições locais. Um desses espaços de valorização cultural é o Mercado do Artesanato, um ponto de referência para quem deseja conhecer a identidade caiçara da região.
O local, inaugurado em 1914 como Mercado do Peixe e transformado em 1983 para abrigar o trabalho de artesãos locais, é hoje palco do legado de José Martins Filho, o Mestre Zeca da Rabeca. Nascido em 12 de junho de 1951, ele é pescador, artesão e músico tradicional, conhecido em todo o Brasil por sua dedicação à rabeca — instrumento símbolo do fandango, manifestação típica da cultura caiçara.
Aprendendo o ofício com o pai aos 14 anos, Mestre Zeca dedica-se há décadas à confecção artesanal da rabeca, tanto em tamanho real quanto em miniaturas, além de ministrar aulas de construção e prática musical no próprio mercado. Ele já integrou diversos grupos de fandango e é frequentemente convidado a se apresentar em eventos culturais por todo o país.
Durante entrevista, Mestre Zeca relatou as dificuldades em atrair novos tocadores e em manter viva essa tradição. “Estamos fazendo de tudo para essa cultura não morrer”, afirmou. Atualmente, ele é o único membro da família Martins que domina o instrumento e se compromete em passar seus conhecimentos adiante a quem o procura.
Para quem valoriza a cultura caiçara, conhecer o trabalho de Mestre Zeca é uma experiência emocionante. Seu exemplo remete à memória de outros defensores da tradição, como Celso Venâncio, de 86 anos, que também dedicou a vida à preservação das manifestações culturais do litoral paranaense. Figuras como Mestre Zeca são pilares na resistência cultural, garantindo que o som da rabeca continue ecoando pelas gerações futuras.


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