Minha história com a comunicação começou muito antes de eu imaginar que o rádio poderia se transformar em profissão. Nasci em 6 de dezembro de 1974, na Vila do Almeida, em Guaraqueçaba, no Litoral do Paraná. Desde muito cedo, desenvolvi uma paixão pelo rádio que, ainda hoje, tenho dificuldade de explicar. Era mais do que uma admiração: era um sonho.
Naquela época, o rádio ocupava
um espaço importante na vida das pessoas. Os comunicadores eram verdadeiras
estrelas, tinham fãs, recebiam cartas e presentes e exerciam uma influência
muito grande sobre os ouvintes. Eu acompanhava tudo aquilo com encantamento e
imaginava que, um dia, também estaria diante de um microfone.
Meu primeiro “estúdio” foi o
banheiro de casa. Eu aproveitava a acústica do ambiente para treinar minha voz,
improvisava um microfone, utilizava um gravador simples e fazia gravações
caseiras, imaginando estar apresentando um programa de rádio. Amigos ouviam e
elogiavam minha voz, o que aumentava ainda mais a vontade de transformar aquele
sonho em realidade.
Aos 14 anos, comecei a
trabalhar na Casa do Pequeno Trabalhador, no bairro Costeira, sob a supervisão
das senhoras Rose e Vera. Ao longo da minha trajetória profissional, também
passei por empresas como Supermercados Condor, Petrobrás Comércio Internacional
S.A. (Interbrás), Cranston Importação e Exportação, Fertimport e
Frigobrás/Sadia, além de ter atuado como Agente Comunitário de Saúde.
Mesmo trabalhando em outras
áreas, nunca abandonei o sonho do rádio. Diariamente, eu acompanhava emissoras
como Caiobá FM, Antena 1, Ouro Verde FM e as rádios locais. Admirava
profissionais que considerava referências, entre eles Rosalmo Vargas, da Caiobá
FM, além de comunicadores que fizeram história no rádio de Paranaguá, como
Elias Guimarães, Luiz Antônio, Marcos Rogério, Sandro Martins, Celso Luiz e
Márcio Guimarães.
Eu buscava inspiração nesses
profissionais, mas sempre tive a consciência de que inspiração não significa
cópia. Cada comunicador possui sua personalidade, sua maneira de falar e seu
próprio estilo.

A primeira oportunidade
profissional
Em 1996, decidi que era hora
de tentar transformar o sonho em realidade. Levei uma fita com minhas gravações
à Rádio Ilha do Mel FM, em Paranaguá. Depois de algum tempo aguardando, fui
atendido por Ronny Peterson, que encaminhou meu material a Claudino Nunes,
idealizador do Rede Notícias.
Claudino identificou potencial
na minha voz e me incentivou a buscar aperfeiçoamento. Uma frase dele ficou
marcada na minha memória: “Esse cara é bom, precisa ser lapidado”.
A partir dali, fui chamado
para um teste pelo então coordenador artístico, Emerson Minini. Posteriormente,
o gerente Maurício Migliorini, seu cunhado na época, me ofereceu a oportunidade
de apresentar um programa no horário da meia-noite à 1h da manhã.
Farol da Ilha, com o slogan
“Iluminando a sua madrugada”.
Aquele programa representou o início efetivo da minha trajetória profissional no rádio. Durante a madrugada, atendia os ouvintes ao vivo, recebia pedidos musicais e fazia companhia para pessoas que trabalhavam ou simplesmente estavam acordadas naquele horário.
Permaneci na Rádio Ilha do Mel
FM por aproximadamente dez anos, de 21 de março de 1997 a 5 de julho de 2006.
Nesse período, apresentei programas como Farol da Ilha, Sertanejo da Ilha,
Toque de Amor e Samba Night.
Mais do que apresentar
programas, vivi uma relação muito próxima com os ouvintes. Foi nesse período
que comecei a compreender verdadeiramente a responsabilidade de quem utiliza um
microfone para se comunicar com milhares de pessoas.
A experiência na Rádio
Difusora
Em 2005, recebi um convite do
diretor e reitor do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, Padre Sérgio
Sviental Campos, para integrar a equipe da Rádio Difusora AM 1460, uma emissora
histórica e uma das mais antigas do Litoral do Paraná.
A emissora passava por um
processo de modernização e revitalização. Padre Sérgio buscava formar uma
equipe comprometida com uma nova fase da rádio, reunindo profissionais de sua
confiança e com experiência na comunicação.
Na Difusora, atuei como
locutor e repórter. Apresentei programas como Show da Tarde e Memories, além de
participar do Jornal da Manhã, ao lado de Mário Mikosz e do comentarista Dr.
Alessandro Pires Staniscia.
Foi uma experiência
inesquecível. Trabalhar diariamente ao lado de profissionais experientes me
permitiu aprender, aperfeiçoar minha comunicação e compreender ainda mais a
importância da informação de qualidade.
Permaneci na Rádio Difusora
até 2 de abril de 2012.
O retorno à emissora onde tudo
começou
Em dezembro de 2012, voltei à
Rádio Ilha do Mel FM, a emissora que havia aberto as portas para mim e onde
minha história profissional começou.
Retornei como repórter e tive
a oportunidade de atuar como apresentador do Rede Notícias em algumas vezes e
do programa Rádio Atividade, que mesclava música e informação.
A experiência adquirida na
Rádio Difusora contribuiu para que eu me adaptasse rapidamente à nova rotina.
Mais uma vez, tive a oportunidade de estar próximo dos ouvintes e de receber o
reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.
Permaneci na emissora até
setembro de 2015. Naquele momento, optei por encerrar minha passagem pela rádio
de maneira ética e respeitosa. Preferi preservar minha integridade
profissional, não transformar divergências pessoais em exposição pública e
seguir adiante mantendo abertas as portas que a própria profissão havia
construído.

Uma nova passagem pela Rádio
Difusora
Em 2016, tive uma breve nova passagem pela Rádio Difusora, justamente durante o processo de transição do AM para o FM.
Foi uma experiência curta, mas
importante para acompanhar uma mudança significativa na identidade da emissora.
Naquele período, pude perceber como transformações na comunicação precisam
considerar também o vínculo histórico construído com os ouvintes.
Sempre entendi que mudanças
graduais permitem que o público acompanhe e assimile melhor uma nova
identidade. Quando uma transformação acontece de maneira muito brusca,
especialmente em veículos tradicionais, pode provocar estranhamento e até
decepção em parte dos ouvintes que construíram uma relação afetiva com aquela
emissora ao longo dos anos.
As mudanças vieram, as cores, slogan,
programação, comunicadores, enfim, isso não agradou os tradicionais ouvintes
que fizeram da Rádio AM 1460, uma emissora que batia de frente com as FM’s.
Mário Mikosz era contra essa mudança repentina, queria que fosse gradual, mas
como não podia opinar e era apenas um voluntário, preferiu ficar em silêncio, acompanhando
a FM 104,7 dando os seus primeiros passos.

Do rádio ao jornalismo
Minha trajetória profissional
não ficou restrita ao rádio.
Paralelamente à comunicação,
trabalhei como assessor parlamentar na Câmara Municipal de Paranaguá e
ingressei no curso de Jornalismo. Mais tarde, concluí minha graduação e me
tornei bacharel em Jornalismo.
A formação acadêmica veio
somar-se à experiência prática construída diante dos microfones. O rádio me
ensinou a ouvir, entrevistar, improvisar, buscar informações, conversar com
diferentes públicos e, principalmente, compreender a responsabilidade de quem
comunica.
O jornalista precisa ter
curiosidade, capacidade de apuração e compromisso com a informação. Muitas
dessas características eu comecei a desenvolver ainda nos primeiros anos de
rádio.
O blog e a comunicação pública
Atualmente, sou responsável
pelo Blog Edye Venancio, projeto que representa outra etapa da minha relação
com a comunicação. Foi um trabalho da faculdade que informa até hoje através do
link https://blogedyevenancio.blogspot.com/
Algumas pessoas podem
considerar o blog apenas uma página na internet, mas essa visão não diminui o
trabalho que desenvolvo. Ao longo do tempo, construí credibilidade, alcance e
uma audiência que já ultrapassa a marca de 4 milhões de visualizações.
Mais importante do que números
é saber que existe um público que acompanha o conteúdo produzido e reconhece o
trabalho realizado.
Hoje também atuo na
Comunicação da Prefeitura de Paranaguá, a convite do prefeito Adriano Ramos e
do secretário municipal de Governo, Thiago Themanski Campos.
É uma nova etapa profissional,
agora na comunicação pública, na qual continuo utilizando diariamente os
conhecimentos e experiências acumulados durante minha trajetória no rádio, no
jornalismo e na produção de conteúdo.
Uma história construída com trabalho
Quando olho para trás, percebo
que aquela criança que imitava locutores e gravava fitas no banheiro de casa
não imaginava o caminho que teria pela frente.
O sonho começou de maneira
simples, quase improvisada. Um banheiro, um gravador, um microfone e muita
vontade de falar no rádio. Depois vieram os testes, as primeiras oportunidades,
os programas, os ouvintes, as entrevistas, as reportagens, as mudanças de
emissora, a faculdade de Jornalismo e, posteriormente, a comunicação pública.
.jpg)
Minha trajetória profissional
foi construída passo a passo.
Ao longo de mais de 20 anos de
caminhada na comunicação, tive a oportunidade de trabalhar em veículos que
fizeram história em Paranaguá e no Litoral do Paraná. Também tive o privilégio
de conhecer e trabalhar ao lado de profissionais que contribuíram para minha
formação.
Sou especialmente grato ao
saudoso Dr. José Francisco Soares Linhares, que abriu as portas da Rádio Ilha
do Mel FM para mim, e ao Padre Sérgio Sviental Campos, que acreditou no meu
trabalho e me convidou para integrar a equipe da Rádio Difusora.
Cada oportunidade deixou um
aprendizado.
O rádio foi minha escola. O
jornalismo ampliou meus horizontes. A comunicação pública representa o momento
atual da minha carreira.
Continuo acreditando que
comunicação se faz com responsabilidade, ética, dedicação e respeito ao
público.
Aquele sonho que começou no
banheiro de casa se transformou em profissão, experiência e, acima de tudo, em
uma história que continuo construindo todos os dias.
Texto: Jornalista Edye Venancio

.jpeg)




_wm.jpg)


.jpg)
.jpg)


.jpg)




















