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Petrobras reduz preço da gasolina em 4,66% para distribuidoras

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (15) a redução de R$ 0,13 no litro da gasolina vendida a distribuidoras de combustíveis. Com a queda do preço, de 4,66%, o litro passará a custar R$ 2,66 a partir desta sexta-feira (16).

 Como a gasolina vendida nas bombas tem adição de 27% de etanol anidro, a parcela do preço da Petrobras no preço do combustível vendido nos postos de gasolina será de R$ 1,94 por litro.

 Segundo a Petrobras, caso os demais agentes da cadeia do combustível (distribuidoras e postos) mantenham os valores de suas parcelas, o preço médio ao consumidor final poderá atingir R$ 5,33 por litro, com base na última pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 “Destaca-se que o valor efetivamente cobrado ao consumidor final no posto é afetado também por outros fatores como impostos, mistura de biocombustíveis e margens de lucro da distribuição e da revenda”, diz a empresa em nota.

 De acordo com o comunicado, “a redução do preço da Petrobras tem como objetivos principais a manutenção da competitividade dos preços da companhia frente às principais alternativas de suprimento dos seus clientes e a participação de mercado necessária para a otimização dos ativos de refino em equilíbrio com os mercados nacional e internacional”.

Por Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

© Fernando Frazão/Agência Brasil


Entenda por que o petróleo fica mais barato lá fora e o preço da gasolina sobe no Brasil

No início de janeiro, o preço do barril de petróleo atingiu o menor valor dos últimos 11 anos e o preço do litro da gasolina despencou nas bombas de combustível ao redor do mundo.

Há um ano, o barril do Brent — equivalente ao petróleo em forma bruta — custava US$ 62,58. Agora, a mesma quantidade do combustível é comprada por menos de US$ 30 (o equivalente a cerca de R$ 120).

No entanto, os motoristas brasileiros não enxergam essa diminuição do preço do combustível na hora de abastecer o carro.
De acordo com dados divulgados semanalmente pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o valor médio de um litro de gasolina no País segue na contramão daquele cobrado pelos barris de petróleo e, surpreendentemente, subiu R$ 0,04 nas últimas semanas, com custo médio de R$ 3,67.

Segundo especialistas da área de petróleo e gás, esse fenômeno pode ser explicado pelo fato de que o preço da gasolina no Brasil é controlado pelo governo, o que impede que o combustível fique mais em conta conforme a flutuação do valor dos barris de petróleo no exterior.
O diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura) e consultor na área de petróleo e gás, Adriano Pires, avalia que o alto preço da gasolina no Brasil tem influência dos 50% recolhidos em impostos pela venda do combustível e da decisão de manter os valores controlados para ajudar as contas da Petrobras, que tem uma dívida que ronda os R$ 500 bilhões.
— Sem repassar o preço, a gente acaba pagando mais caro que o mundo inteiro. Quando o mundo pagava gasolina cara, a gente pagava mais barato. Agora que o mundo paga gasolina mais barato, a gente paga ela mais cara.
De acordo com Adriano, na últimas semana, a gasolina no Brasil estava quase 30% mais cara do que no mercado internacional e o diesel, quase 60% mais caro. 
Para o professor de economia da UFF (Universidade Federal Fluminense) Luciano Losekan, a segurada de preços da gasolina tem a intenção de justamente “compensar” a política que foi prejudicial à Petrobras no passado.
— Até 2013 nós tínhamos uma política de preços que era danosa à Petrobras porque os valores dos mercados internacionais eram maiores do que aqueles praticados no Brasil, Isso causou uma perda muito significativa para a Petrobras e a ideia agora é recompensar isso.
O mestre em Ciências e Engenharia do Petróleo e professor da EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo), da FGV (Fundação Getulio Vargas), Rafael Schiozer, observa que a decisão de manter o valor da gasolina mais em conta no passado teve como objetivo o controle da inflação. Em uma projeção, ele afirma que o preço pago pela gasolina nas bombas brasileiras não deve reduzir nos próximos meses.
— Se a Petrobras operasse em um ambiente mais competitivo, a queda no preço do petróleo eventualmente chegaria ao consumidor final, mas não tem perspectiva para que isso aconteça, porque a Petrobras vai segurar o preço um pouco mais alto.
A mesma percepção de Schiozer é vista por Pires, que não acredita na redução do preço da gasolina. No entanto, ele observa que há uma possibilidade do governo diminuir o valor cobrado pelo diesel em função dos “impactos políticos maiores” causados pelo combustível utilizado em ônibus e caminhões. 
Fonte: R7