A beleza do perdão
Lembro-me de uma das pregações do Monsenhor Jonas Abib
em que ele usava uma metáfora cotidiana para falar sobre o perdão. Dizia das
obras e das placas de sinalização que comunicavam: “Desculpe o transtorno,
estamos em construção”. Como artesão da palavra, inspirado por Deus, nosso
fundador foi descendo às minúcias do que é o transtorno e do que é a
construção.
Causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque
somos pecadores, porque somos imperfeitos. Nas esquinas da vida, pronunciamos
palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais
próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos. Não
respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em
torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe. E, assim, vamos
causando transtornos.
Esses transtornos tantos mostram que não estamos
prontos, mas em construção. Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai
ganhando forma. Em alguns momentos, não somos capazes de compreender o tamanho
da dor. Em outros, a edificação parece mais leve, o amor alivia o árduo
trabalho. E assim é a nossa vida.
O outro, o meu irmão, também está em construção e
também causa transtornos. E, às vezes, um tijolo cai e me machuca. Outras
vezes, é a cal ou o cimento que suja o meu rosto. E quando não é um, é outro. E
o tempo todo tenho de me limpar e tenho de cuidar das feridas. Assim como os
outros que convivem comigo também têm de fazer. Os erros dos outros, os meus
erros. Os meus erros, os erros dos outros.
Essa é uma conclusão essencial: todas as pessoas
erram. A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o
perdão.
Perdoar é cuidar das feridas e das sujeiras. É
compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários. Que os erros dos
outros são semelhantes aos meus erros, e que como caminhantes de uma jornada é
preciso olhar adiante. Se nos preocuparmos com o que passou, com a poeira, com
o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício.
O convite que eu faço é que você experimente a beleza
do perdão. É um banho na alma. Deixa leve. Uma boa confissão ajuda a reconhecer
as nossas falhas e, mais do que isso, nos impulsiona a buscar a santidade.
Obrigado, Monsenhor Jonas Abib, por nos ensinar a
pedir perdão.
Meu irmão, se eu errei, se eu o magoei, se eu o
julguei mal, desculpe-me todos esses transtornos… estou em construção! Gabriel
Chalita
, Revista
Canção Nova de Abril 2010, pág. 14.