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Festa de Nossa Senhora do Rocio em Paranaguá

A cidade de Paranaguá celebra nesta sexta-feira, 15 de novembro, a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná. O evento, que atrai milhares de fiéis de diversas partes do Brasil, é considerado uma das maiores manifestações religiosas do país, com origem no século XVII.

De acordo com a história, a devoção começou quando um pescador chamado Pai Berê encontrou a imagem de Nossa Senhora do Rocio em sua rede, durante uma pescaria na baía de Paranaguá. O nome “Rocio”, que significa “orvalho”, foi dado em referência ao horário do amanhecer, momento do achado. A partir desse episódio, a imagem foi levada à casa do pescador, onde começaram as orações à Virgem.

A programação da festa inclui missas no Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio pela manhã e uma grande procissão ao final da tarde. A imagem da padroeira é carregada em um andor em direção à Catedral de Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade. No dia seguinte, ocorre a procissão de retorno ao santuário.

A Festa Estadual de Nossa Senhora do Rocio se destaca pela união de fé, cultura e tradição, consolidando-se como um dos eventos religiosos mais importantes do Paraná e do Brasil.











Imagens de 15.11.2014

IMAGENS DO ANO PASSADO
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Texto e fotos: Edye Venancio


Ilha dos Valadares: alguém lembra do índio?

Estátua do índio Carijó na Ilha dos Valadares vira memória e levanta questionamentos sobre representatividade cultural.

Instalada como homenagem aos povos originários, a escultura foi alvo de vandalismo e segue esquecida, enquanto moradores cobram símbolos que representem a identidade local.

No século XVI, os índios Carijós tiveram papel fundamental na história do Paraná. Durante as bandeiras paulistas, muitos foram capturados e levados como escravos para trabalhar nos engenhos de São Vicente e do Nordeste. Os que permaneceram foram explorados na busca por ouro ou fugiram rumo ao interior do país, como Goiás. Com o tempo, foram sendo exterminados ou assimilados, dando origem a comunidades caboclas e caiçaras.

A importância histórica desse povo originário levou à criação de uma estátua em sua homenagem, instalada na Praça Cyro Abalém, na Ilha dos Valadares, obra do artista local Deocir Gomes. A placa original trazia um texto explicativo, destacando que, embora o verdadeiro índio Carijó não exista mais em sua forma original, seus descendentes ainda vivem de forma aculturada e merecem reconhecimento.

No entanto, desde sua inauguração, a presença da estátua dividiu opiniões. Parte dos moradores não se identificava com a homenagem, sugerindo que a obra deveria retratar um pescador, figura mais próxima da história da Ilha. O ponto mais crítico dessa controvérsia ocorreu no dia 12 de fevereiro de 2013, às 08h09, quando a estátua foi encontrada vandalizada. Os responsáveis nunca foram identificados.

Mais de um ano depois, em 18 de março de 2014, o que restava do monumento foi visto em uma fábrica de artefatos de cimento no bairro 7 de Setembro, longe do seu local original e da vista da comunidade.

Enquanto isso, a ausência de uma nova representação no espaço da praça alimenta boatos e piadas entre os moradores. Alguns comentam que no lugar do índio poderá surgir um gorila, um Pinóquio gigante ou até um boi de mármore — figuras sem qualquer ligação com a identidade insulana. Outros, mais conscientes, cobram que ali seja instalada uma homenagem legítima aos moradores ilustres da Ilha dos Valadares, gente simples, pescadores, professores, artistas, que de fato compõem a história viva da comunidade.

A estátua do índio Carijó permanece como símbolo de um debate maior: quem decide o que deve ser lembrado em nossos espaços públicos? E, mais importante ainda, será que um dia os próprios insulanos poderão escolher a imagem que melhor os representa?

Estátua do índio Carijó na Ilha dos Valadares vira memória e levanta questionamentos sobre representatividade cultural

Instalada como homenagem aos povos originários, a escultura foi alvo de vandalismo e segue esquecida, enquanto moradores cobram símbolos que representem a identidade local.