A Secretaria
de Estado da Saúde promoveu em Paranaguá uma capacitação para profissionais de
saúde mental para debater a residência terapêutica com enfoque no combate ao
estigma das pessoas com transtornos mentais. A capacitação teve como tema
“Serviço Residencial Terapêutico e a Promoção para o Cuidado em Liberdade”, e
tratou da necessidade da articulação intra e intersetorial, o incentivo à
autonomia dos moradores, o direito de habitar a cidade e a implantação de mais
Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT).
Participaram
aproximadamente 80 pessoas, entre profissionais da Rede de Atenção Primária da
1a Regional de Saúde (RS) – Paranaguá, 2a RS – Metropolitana de Curitiba e 15a
RS – Maringá. Também estavam presentes pacientes em atendimento e recuperação
de transtornos mentais.
O
superintendente de Atenção à Saúde, Juliano Gevaerd, enfatiza a relevância do
evento para a reflexão dos profissionais e sociedade quanto à qualificação das
ações em rede. “É importante ter espaços para debater questões relacionadas à
saúde mental, pois uma vida saudável envolve mente e corpo em equilíbrio.
Estamos sempre organizando encontros que promovam o fortalecimento da atenção
primária, envolvendo profissionais de todas as áreas da saúde”, disse.
A psicóloga
Larissa Sayuri Yamaguchi, da Secretaria Estadual da Família e Desenvolvimento
Social, destacou a importância do respeito à pessoa, do seu pertencimento às
suas origens e a necessidade de trabalho articulado minimamente entre saúde e
assistência social. “Como técnicos devemos colocar a loucura entre parênteses e
focar no cuidado no território de vida dessas pessoas”.
CAPACITAÇÃO –
O enfoque das palestras e atividades foram o cuidado aos pacientes, atendimento
especializado e Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). A coordenadora
estadual da Rede de Saúde Mental, Rejane Cristina Teixeira Tabuti, explica que
os SRTs são moradias para pessoas com transtornos mentais, que permaneceram
internadas por dois anos ou mais ininterruptos em hospitais psiquiátricos ou
hospital de custódia e que perderam laços familiares e sociais.
Segundo ela,
os Serviços Residenciais são voltados aos pacientes que não têm possibilidade
de retornar para as suas famílias ou responsáveis. “Assim, as moradias são
fundamentais para o processo de desinstitucionalização, devolvendo por meio de
um longo processo de reinserção social e promoção da autonomia, o resgate da
cidadania”, afirmou.
Ela disse que
um dos objetivos da capacitação foi o incentivo à promoção da saúde, por meio
de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Foram realizadas Terapia
Comunitária Integrativa, Arteterapia, Ioga, Auriculoterapia e Mãos sem
Fronteiras, com apoio do Instituto Shanti, de Curitiba. “Essas vivências
possibilitaram a integração dos profissionais, cuidadores e moradores, por meio
de trocas e afetos no meio social, estimulando a realização de atividades de promoção
à saúde”, acrescenta Tabuti.
Além dos conteúdos
teóricos, foi feita apresentação cultural por profissionais e moradores dos
Serviços Residenciais Terapêuticos do Município de Maringá. A coordenadora de
Saúde Mental da 1a Regional de Saúde, Márcia Silvana Fernandes, disse que o encontro
foi muito produtivo para a troca de experiências e compreensão sobre o modo de
lidar com a saúde mental na sociedade.
“Foi um primeiro
encontro e ficamos muito empolgados com a presença de tantos profissionais. É
gratificante ver a importância desse trabalho e perceber que faz a diferença na
vida de muitas pessoas. Alguns moradores nos contaram que ficaram muito felizes
em poder participar do evento e socializar com outras pessoas, mostrando a
importância do cuidado e atenção àqueles que ficaram excluídos da sociedade”,
afirmou Márcia Fernandes.
Fonte: AEN





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