O Ministério da
Educação lançou hoje (15) uma cartilha que tem, por objetivo, apresentar
detalhes, princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional de
Alfabetização (PNA) anunciada em abril. Além de conceitos e contextualizações,
o documento apresenta também formas de implementação, avaliação e monitoramento
dessa política, bem como agentes e público-alvo envolvidos.
A PNA estabelece as
diretrizes para ações e programas governamentais visando a redução do
analfabetismo no país, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da
educação básica. A intenção é que as escolas passem a alfabetizar as crianças
no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja, geralmente aos 6 anos de idade.
“Estamos trazendo uma
abordagem científica para a educação no Brasil, com base em evidências
científicas”, discursou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante a
cerimônia de lançamento do Caderno da Política Nacional de Alfabetização.
A ênfase da
alfabetização no primeiro ano é uma das novidades. Em 2017, a Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), que define o mínimo que os estudantes devem aprender a
cada etapa de ensino, estipulou que as crianças fossem alfabetizadas até o 2º
ano do ensino fundamental, o que geralmente ocorre aos 7 anos.
Pelo Plano Nacional de
Educação (PNE), lei 13.005/2014, as crianças devem ser alfabetizadas, no
máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental, ou seja, aos 8 anos de
idade.
Família, estímulos e
professores
Após receber, das mãos
do ministro, um exemplar da cartilha, a presidente do Conselho Nacional de
Secretários de Educação (Consed), Cecília Mota, destacou o papel que professor
e família têm para que se alcance os objetivos de alfabetização.
Segundo ela, a
alfabetização pode usar várias linhas, não precisando se restringir a um método
específico, como o fônico – pelo qual se ensina, primeiro, os sons de cada
letra para, depois, ao misturar as letras, se chegar à pronúncia completa das
palavras.
“Não interessa o
método aplicado pelo professor. Interessa que a criança aprenda. Então é uma
questão de formação do professor. Ele precisa ser bem preparado para ter
eficiência no processo de alfabetização”, disse a presidente do Consed.
Ela acrescenta que o
papel da família também é fundamental, principalmente se os pais tiverem o
hábito da leitura e se tiverem em casa uma biblioteca com livros infantis. “O
Brasil, no entanto, é um país pobre onde muitos pais não leem ou não têm o
hábito da leitura. Isso realmente tem um impacto negativo sobre a
aprendizagem”, ponderou.
A educadora explica
que não há uma fórmula específica para a alfabetização de crianças. “Cada
criança tem seu ritmo próprio de aprendizagem. Nunca chegaremos a um acordo
sobre esse ‘até tal idade’ ela deve estar alfabetizada. Esse limite é um limite
apenas normativo porque a criança aprende de maneira diversificada. Tem criança
que com apenas 3 anos já está lendo. Tudo depende da família, dos estímulos e
do professor. É uma variável muito grande”, argumentou.
Comparações
Ainda durante o
lançamento do caderno, Weintraub criticou a linha pedagógica de alfabetização
adotada pelo país nas últimas décadas.
“Qual é o resultado
desses anos todos de pensamento dogmático da alfabetização brasileira? O
resultado desse pensamento todo, após 20 ou 30 anos de insistência, é que 50%
das nossas crianças no 3º ano são analfabetas e não sabem fazer contas básicas.
Isso, mais do que um fracasso, é um crime. Pode ter ou não ter dolo, mas é um
crime o que está sendo feito no Brasil”, disse o ministro.
Jogos para acelerar a
aprendizagem
A presidente do Consed
defendeu que o uso de estímulos lúdicos potencializam a capacidade de
aprendizado dos estudantes. Portanto o assunto deverá ser debatido pelo painel de
12 especialistas criado pelo ministério para elaborar o relatório que será base
para a formulação das políticas públicas voltadas à alfabetização.
“Alguns jogos podem,
inclusive, acelerar a aprendizagem, ao estimular os neurônios a fazerem
conexões mais rápidas. É até os 6 ou 7 anos de idade que as conexões acontecem
na área de matemática, Língua Portuguesa, leitura e escrita”, argumentou
Cecília Mota.
Nesse sentido, ela
disse que a metodologia do educador Paulo Freire será relevante, inclusive,
para a implementação do que está previsto na cartilha lançada hoje. “Tem
relevância porque trabalha com aprendizagem voltada para o dia a dia, em
especial quando você fala em dar ludicidade para se aprender a ler. A educação
só pode dar certo quando tem significado para a criança. Se dermos algo que não
signifique nada para a criança, ela se desmotiva”, completou.
Weintraub aproveitou o
evento para desmentir boatos de que estaria planejando acabar com o ensino
médio integral no Brasil. "Isso não passa de fake news", disse
Fonte: Agência Brasil/Pedro Deduzzi
Foto: José Cruz

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