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Por que o Brasil anda para trás quando poderia liderar

Apesar de ser referência mundial em áreas estratégicas como agricultura, energia limpa e tecnologia bancária, o Brasil segue travado por problemas históricos, estruturais e institucionais que se repetem há séculos e impedem o país de transformar potencial em desenvolvimento sustentável.

O Brasil costuma ser rotulado como um país “atrasado”. A afirmação, embora recorrente, é incompleta. O país não fracassou por falta de talento, recursos naturais ou capacidade técnica. Ao contrário: tornou-se potência agrícola, construiu um dos sistemas bancários mais digitalizados do mundo, desenvolveu uma indústria aeronáutica competitiva e mantém um sistema público de saúde que realiza pesquisas e campanhas de vacinação em escala continental.

O problema está menos na capacidade e mais na estrutura.

Desde a origem, o Brasil foi organizado para extrair riqueza, não para distribuí-la ou transformá-la em desenvolvimento coletivo. A colonização de exploração, somada a mais de três séculos de escravidão e à concentração histórica de poder nas mãos de uma elite restrita, criou um país profundamente desigual. Esse modelo limitou o investimento em educação popular, fortaleceu instituições voltadas a poucos e dificultou a construção de um projeto nacional inclusivo.

O maior gargalo permanece na educação básica. Enquanto países que enriqueceram rapidamente priorizaram ensino de qualidade desde a infância, o Brasil convive com escolas desiguais, professores mal valorizados e currículos pouco conectados à realidade prática. Sem uma base sólida, produtividade, inovação e competitividade ficam comprometidas.

Outro entrave é a falta de continuidade. Políticas públicas raramente sobrevivem à troca de governos. Projetos estruturais são abandonados, reformulados ou desmontados a cada quatro anos. Países desenvolvidos planejam em horizontes de décadas; o Brasil, frequentemente, governa no curto prazo.

A isso se soma um ambiente institucional marcado por burocracia excessiva, sistema tributário complexo e lentidão judicial. Empreender custa caro, inovar é arriscado e investimentos, muitas vezes, buscam destinos mais previsíveis.

A desigualdade também cobra seu preço. Um país que precisa gastar energia permanente apagando incêndios sociais — fome, violência, informalidade — tem menos espaço para pensar o futuro. Sociedades mais igualitárias avançam mais rápido porque conseguem direcionar esforços para inovação e crescimento.

Há ainda um fator cultural: o chamado “jeitinho brasileiro”. A criatividade, virtude reconhecida mundialmente, muitas vezes se transforma em improviso crônico, baixa cobrança por excelência e tolerância ao planejamento precário. Funciona no curto prazo, mas trava o desenvolvimento de longo prazo.

Por fim, a comparação frequente com Europa, Estados Unidos ou Japão ignora contextos históricos distintos. Esses países se industrializaram cedo, exploraram outros povos ou tiveram guerras que aceleraram avanços tecnológicos. Quando comparado a nações de trajetória semelhante, o Brasil não está tão fora da curva — embora ainda esteja aquém do que poderia ser.

A verdade incômoda é que o Brasil carrega potencial há décadas. Mas potencial, sozinho, não gera prosperidade. Desenvolvimento exige tempo, consistência, educação contínua e decisões difíceis — muitas vezes impopulares. É um caminho árduo, mas possível. O atraso brasileiro não é destino; é consequência de escolhas acumuladas.

(Matéria ainda em desenvolvimento, podendo sofrer alterações)

Brasil, Desenvolvimento, Educação, Desigualdade, Infraestrutura, Economia, História, Políticas Públicas, Planejamento, Sociedade

Texto: Jornalista Edye Venancio 

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