Produtora cultural Mariana Zanette de Oliveira destaca a importância da organização, da formação de jovens e do apoio financeiro para manter viva uma das mais antigas expressões culturais do Brasil
A Associação de Cultura Popular
Mandicuera, se consolidou como uma das principais referências na preservação e
valorização do fandango caiçara, tradição centenária do litoral brasileiro. À
frente da organização de projetos e ações culturais, Mariana Zanetti de
Oliveira relembra que sua trajetória na entidade começou em 2005, quando
conheceu o mestre Aurélio Domingues, figura central na luta pela salvaguarda
dessa manifestação cultural.
Com experiência no teatro e na
produção audiovisual, Mariana passou a atuar na estruturação da associação,
transformando ideias em projetos viáveis por meio de captação de recursos e
plataformas de financiamento. Segundo ela, manter a cultura viva exige mais do
que reconhecimento: é necessário investimento e planejamento.
"Eu conheci a associação no
ano de 2005, quando eu conheci o mestre Aurélio, com quem eu me casei e tenho
três filhas hoje em dia. Eu venho do teatro, venho da produção audiovisual e
entro na Associação Mandicuera para ajudar a organizar as coisas. E como
produtora cultural, eu venho para produzir os projetos da Mandicuera,
organizar, colocar os sonhos no papel, que hoje em dia não é mais no papel, mas
no início era no papel, hoje em dia é colocar os sonhos em plataformas de
financiamento, atrás de captação de recursos, fazer projetos”.
.jpeg)
Uma das estratégias adotadas foi
a formação de novos fandangueiros. A Mandicuera iniciou oficinas de construção
de instrumentos e musicalização, atraindo jovens que hoje não apenas tocam, mas
também produzem instrumentos e desenvolvem projetos culturais. “Hoje a
Mandicuera tem várias mãos. São jovens aprendendo, produzindo e dando
continuidade ao trabalho, então, a gente começou a trabalhar com a construção
de instrumentos, porque primeiro precisava ter instrumentos na mão das pessoas,
dos jovens, daí, chamamos os jovens através das oficinas. E esses jovens
vieram, aprenderam a tocar os instrumentos, hoje em dia estão construindo os instrumentos,
estão fazendo projetos, como você está vendo”, destaca.
Apesar dos avanços, Mariana
avalia que o reconhecimento ainda é tímido. Para ela, o fandango precisa
alcançar o mesmo patamar de valorização de outras manifestações culturais
brasileiras, como o samba e o frevo. “O dia que o fandango for conhecido no Brasil inteiro e no mundo, ele estará no lugar que merece”, afirma.
Ela também ressalta o papel
fundamental do mestre Aorélio Domingues, que, segundo Mariana, dedicou a vida à
preservação do fandango, inspirando outras pessoas a se engajarem na causa.
“É um sonhador, uma pessoa
completamente dedicada, a profissão dele era artista plástico, cenógrafo, só
que ele percebeu que se ele não fizesse isso, se ele não lutasse pelo Fandango,
ninguém ia fazer. Inclusive, hoje em dia tem muita gente lutando, até isso é
necessário, que exista essa competição, mais gente competindo, mais gente
querendo fazer, isso existe porque ele está ali à frente. Então, o Aurélio tem
um papel muito grande na questão da salvaguarda do Fandango”, reconhece.
Para o futuro, a expectativa é de
expansão e maior engajamento coletivo. Mariana acredita que a responsabilidade
pela preservação da cultura deve ser compartilhada por toda a sociedade,
incluindo o setor empresarial. “Precisamos do apoio das grandes empresas,
principalmente por meio de leis de incentivo, para levar o fandango a todo o
Brasil”, conclui.
fandango, cultura caiçara,
Associação Mandicuera, Paranaguá, tradição cultural, cultura popular, litoral
do Paraná, incentivo à cultura, juventude, projetos culturais, Lei Rouanet,
patrimônio cultural
Texto: Jornalista Edye Venancio
Fotos: Moyses Zanardo

.jpeg)
.png)





0 Comentários